Não é novidade que em Mato Grosso predomina a ideia falaciosa de que a produção agropecuária é mais importante que a conservação da natureza. Essa ideia ameaça, há anos, diversas áreas protegidas do Estado e os serviços ambientais que elas proveem, como equilíbrio do ciclo de chuvas, a reprodução de polinizadores e a qualidade do ar e da água.

Em 2006, os deputados de Mato Grosso tentaram reduzir o Parque Estadual do Cristalino em quase um terço. Em dezembro do ano passado, eles reduziram a Reserva Extrativista Guariba Roosevelt.

Agora querem acabar com o Parque Estadual Serra de Ricardo Franco.

No dia 19 de abril, 20 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso aprovaram em primeira votação o Decreto Legislativo 02/2017, que susta o decreto 1.796/1997, que criou o Parque, protegendo uma área de 158 mil hectares de rios, cachoeiras e uma vegetação que une Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal.

A proposta foi assinada como de “lideranças partidárias”, ou seja, teoricamente, não tem pai. Mas, segundo apuração do jornal Midianews, a Secretaria de Serviços Legislativos da Assembleia informou que o documento foi assinado pelos deputados Guilherme Maluf (PSDB), Jajah Neves (PSDB), Adriano Silva (PSB), Oscar Bezerra (PSB), Wagner Ramos (PSD), Dilmar Dal’Bosco (DEM), Adalto de Freitas (SD), Allan Kardec (PT), Janaina Riva (PMDB) e pelo presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (PSB).

Os deputados alegam que, em 20 anos, nada foi feito pela implementação do parque, o que não é verdade. Sua real motivação é ajudar os posseiros que criam gado ilegalmente dentro do parque, inclusive o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Após o lançamento do movimento, no dia 21 de abril, os deputados extincionistas perceberam que não vamos perder nenhum hectare de área protegida sem muito barulho. Na noite do dia 24 de abril, o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), suspendeu a segunda votação do projeto e disse que o assunto só voltará à pauta após consenso.

Com a pressão, alguns deputados como o (não muito Verde) Wancley Carvalho (PV), já começaram a tentar se distanciar da polêmica. Em entrevista ao Olhar Direto, ele disse que “considerou radical a proposta de extinção da área”, e prometeu que “tentará evitar a aprovação final deste projeto”. Mas não vimos essa disposição conservacionista toda no dia 19.

É bem verdade que o deputado Wancley havia pedido em dezembro a criação de uma comissão especial na Assembleia para estudar a situação dos produtores rurais dentro do parque. Mas a tal comissão ficou na geladeira até o dia 24 de abril, quando finalmente foram definidos os membros titulares e suplentes.

O grupo é formado pelos deputados seguintes deputados:

São suplentes os parlamentares Wagner Ramos (PSD), Dilmar Dal Bosco (DEM), Saturnino Masson (PSDB), Sebastião Rezende (PSC) e Jajah Neves (PSDB).

Atualizado em 24 de abril de 2017.