O Parque Estadual Serra de Ricardo Franco abriga centenas de espécies ameaçadas, dentre as quais pássaros migratórios, lagartos que só ocorrem ali, peixes, ariranhas, lontras, a majestosa Harpia (que faz a águia careca, símbolo dos EUA, parecer um carcará), além do maior predador das Américas, a onça-pintada!

Além da fauna emblemática, o parque pode abrigar espécies com potencial econômico para o ser humano e ser banco de genes utilizáveis na agricultura e farmacologia. Mas potencial é algo que não é explorado se não houver cientistas no local.

Mas se o parque é tão sem estrutura e existe só para inglês ver, como dizem os deputados, então não há ciência sendo feita lá, certo? ERRADO!

Há várias teses de mestrado e doutorado sendo desenvolvidas com dados coletados no parque por pesquisadores de diversas instituições do país. Mais do que isso, há espécies novas de plantas, mamíferos, lagartos e insetos, novas para a ciência, que só foram identificadas dentro do Ricardo Franco até agora.

Nós contabilizamos 24 trabalhos científicos realizados e publicados em revistas e livros brasileiros e internacionais entre 1998 e 2016. Há trabalhos demonstrando a importância do parque para a diversidade e funcionamento de outros ecossistemas, como o Pantanal. Tanto na questão da Biodiversidade, quando em questões geográficas e geológicas. A pesquisa de Juan Ignacio Areta sobre o uso da área para espécies migratórias ameaçadas, publicada na revista internacional The Wilson Journal of Ornithology em 2012 é um exemplo.